Palaia nega golpe político e projeta democratização do clube

Agência Palmeiras
Fábio Finelli
30/09/2010 18h48

Salvador Hugo Palaia, 76 anos, foi apresentado oficialmente na tarde desta quinta-feira (30), na Academia de Futebol, como o novo presidente interino da Sociedade Esportiva Palmeiras. Ele vai ocupar o cargo até o dia 10 de novembro, prazo em que Luiz Gonzaga Belluzzo vai ficar licenciado da presidência. Em sua primeira entrevista coletiva, Palaia foi categórico ao afirmar que a mudança no departamento de futebol não se tratou de um golpe político, disse que pretende democratizar e pacificar o clube e prevê um Palmeiras fortalecido com o ele e o conselho gestor no comando.

Em suas primeiras palavras como presidente interino, Palaia brincou com os jornalistas e lembrou da autoentrevista concedida em 2006. "Peço desculpa pela demora, mas estava acabando de terminar a minha autoentrevista (risos). É brincadeira, quis quebrar o gelo com vocês. Quero acabar com esse assunto. Já morreu e faz parte do passado", disse o mandatário, que sentou à mesa com o diretor de futebol Wlademir Pescamona, os assessores especiais Antonio Carlos Corcione e Fabio Raiola, o diretor financeiro Francisco Busico e o diretor administrativo José Cyrillo Jr. Também vai compor o conselho gestor o vice-presidente Clemente Pereira Júnior.

Confira os principais trechos da entrevista de Salvador Hugo Palaia. Os áudios da entrevista estão ao final desta notícia.

Golpe político
"Não foi golpe, nem traição, muito menos vingança. O presidente Belluzzo passou o cargo para mim e sabia de tudo o que aconteceu. O Seraphim Del Grande também sabia, pois tínhamos jantado na noite anterior. Eu gostaria muito que o Seraphim participasse do conselho gestor e o Cipullo também. Isso prova que não tenho mágoa de ninguém. O Pescarmona (novo diretor de futebol) é um dos homens fortes do Muda Palmeiras, é amigo pessoal do Cipullo e está num cargo de extrema relevância nesse conselho. Isso prova que não teve traição."

Democracia e pacificação
"Eu vou pregar a união no Palmeiras. Tenho uma vontade imensa de pacificar o clube. A salvação neste momento é todos estarem unidos e pensarem em um Palmeiras maior. Gostaria de chamar os opositores para participar das nossas ações. Neste conselho gestor, todos terão participação. Vamos gerir o futebol de maneira democrática, e eu me responsabilizarei por tudo o que acontecer."

Conselho gestor
"Eu venci na política no Palmeiras, venci também profissionalmente, e agora como presidente interino com o conselho gestor, vamos alcançar nossos objetivos. É um conselho onde todos participaração das ações. Não tenho intenção nenhuma de mudar o que o Belluzzo plantou. O que vai mudar é a gestão administrativa. Nossa meta é democratizar o clube, ouvirei a todos e o bom senso prevalecerá."

Vontade de ser palmeirense
"É um amor de vem de berço, e esse amor me faz ter vontade de dirigir o Palmeiras. Estou me sentindo disposto, com espírito de luta e força. Estou com saúde e não sou aposentado ainda. Estou no Palmeiras há mais de 40 anos, passei pelos mais diversos cargos, amador, financeiro, social, e sei muito bem o que eu estou fazendo. O tempo vai provar que viemos aqui para trabalhar e fazer o melhor para o clube."

Departamento de futebol
"O que eu fiz não foi nada inovador. Para comandar um departamento de futebol, precisava de homens de confiança. E eu mudei porque todos clamavam por mudanças. Apesar das críticas que eu tenho às pessoas que deixaram o comando do futebol, não gostaria de polemizar. Não quero falar do passado, pois o momento é de pensar em agregar."

Belluzzo
"Rezo pelo Belluzzo e espero que ele volte antes dos 45 dias. O presidente está ciente de tudo o que aconteceu. Ele é uma pessoa inteligente, é um homem sabedor do que está sendo feito."

Diretor de futebol em 2006
"Quando eu assumi o futebol em 2006, acho que fiz um bom trabalho. Trouxemos grandes nomes na época, inclusive o Valdivia, que ninguém acreditava e hoje é uma realidade. Foi feito um investimento enorme, mas infelizmente os resultados não vieram."

Relação com Felipão
"Quando eu fui diretor de futebol (2006), meu sonho era ter trazido o Felipão. Ele tem o sangue italiano igual o meu, e a maior virtude nossa é que falamos olho no olho, somos sinceros e transparentes. Meu relacionamento com ele e a comissão técnica será o melhor possível."

Dificuldades financeiras
"Pode ter certeza que deixaremos o clube em condições muito melhores. Já estamos conversando com os parceiros e colocando ordem na casa. Quanto ao pagamento dos direitos de imagem que estavam atrasados, prefiro não citar. É assunto interno nosso. Mas se tiver de colocar a mão no bolso para pagar o elenco, eu colocarei até o bolso furar."

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